O Laboratório de Estética e Política - LEP da ECO-UFRJ é uma plataforma
extensionista coordenada pela docente logo LEPcom participação de alunos de Graduação e de Pós (orientandos de Mestrado e Doutorado), artistas, pesquisadores convidados e cidadãos interessados em articular sua ação artística à sociedade. O LEP funciona através de reuniões presenciais com ocorrência semanal, abertas ao público; em virtude das recomendações de distanciamento social causadas pela pandemia de COVID-19, os encontros do LEP migraram para a plataforma virtual ZOOM, atraindo um público bem mais amplo, inclusive de outras cidades.

 

Desde março de 2020, lançamos um formato de seminário, estudando textos e desenvolvendo temas do interesse do grupo, com a participação de autores e debatedores; sendo esta ação coordenada por nossa bolsista PIBIAC (Mariana Chiote). No que diz respeito aos processos criativos, ao longo dos anos, o LEP experimentou variantes aos jogos-exercícios do arsenal do Teatro do Oprimido (metodologia inventada por Augusto Boal) e do Teatro das Oprimidas (metodologia criada pela coordenadora do LEP, com Barbara Santos), especialmente visando produzir intervenções artísticas tais como cenas teatrais, instalações e intervenções urbanas.

 

A plataforma amadureceu dois projetos maiores: uma oficina com cidadãos nacionais e refugiados, seguida de teatro-forum que desenvolveu uma modalidade legislativa, com título Uma odisseia. A peça, dirigida por nosso aluno extensionista (Daniel Pimentel) teve ampla circulação, graças ao apoio do CEPRI/Fundação Casa Rui e da Cátedra Sérgio vieira de Melo da PUC-Rio. Outras oficinas no âmbito dos estudos de gêneros (Reinvenção de corpos, Madalenas/Masculinidades etc.), idealizadas e conduzidas por alunos bolsistas PIBIAC (Mariana Chiote, Natalia Brambila, Arnon Segall) produziram intervenções artísticas visando provocar os processos simbólicos instituídos, resistir a condutas coagidas e reescrever relações sociais naturalizadas. Nossos processos criativos são constantemente acompanhados pela produção de conhecimento em formato de escrita ensaística e em formato de registro audiovisual (fotografia, curta-metragem, documentário), de modo que constituem um repertorio de percursos pedagógicos horizontais e compartilhados por todos os participantes.

 

Os bolsistas PIBIC dedicam-se especialmente ao trabalho de acompanhamento teórico e produção de conhecimento. A bolsa PIBIC garantiu três excelentes percursos temáticos: um primeiro dedicado ao conceito de “povo” e de “popular” no trabalho de Boal diretor, antes do exílio, no Teatro de Arena (Augusto Melo); um segundo dedicado à urgência auto-ficcional no trabalho do Boal dramaturgo, durante a prisão e o exílio (Pedro Barroso).

 

As pesquisas levantaram fontes inéditas, foram apresentadas no SIAC com menção honrosa e publicadas em revistas. Produzimos uma leitura dramática, em parceria com a Escola de Teatro Martins Pena, da peça Torquemada (1971) que Boal escreveu na cadeia e finalizou no exílio, entre Buenos Aires e Nova Iorque em 1972; mesmo publicada, continua inédita nos palcos: ela foi “engavetada” pela classe teatral. A peça tem por protagonista o inquisidor-mor na Espanha no século XV, Padre Tomás de Torquemada, empenhado (alegoricamente) na execução sem julgamento de um grupo de presos políticos brasileiros da década de 60; é dedicada à atriz Heleny Guariba, parceira de Boal no Teatro de Arena, encontrada pela última vez no presídio Tiradentes, em São Paulo; a ela Boal dedica a peça, ela que foi “assassinada nas prisões de Torquemada”. O sucesso da iniciativa, apresentada durante a “Semana do Oprimido: Pensando Paulo Freire e Augusto Boal” em setembro de 2019, replicada na sala Vianninha, da ECO e no Colégio Pedro II, durante a exposição Augusto Boal, moveu nosso terceiro bolsista (Daniel Pimentel) a prosseguir “desengavetando” mais peças, como no ciclo Comédias de Goldoni que acompanha o lançamento do livro com mesmo título, de autoria da coordenadora, em julho 2020 pela editora Perspectiva. O ciclo, hospedado e promovido pelo Instituto Italiano de Cultura, está acontecendo em formato remoto live, durante a pandemia, em parceria com a Escola de Teatro Martins Pena, a CAL, a Oficina Social de Teatro de Niterói, alcançando assim um grande público (média de 300 pessoas para cada peça). Com sua ampla oferta de atividades e sua complexa sinergia de participantes e bolsistas, o LEP participou extensivamente do Festival do Conhecimento da UFRJ. Assim, o LEP se oferece à cidade como espaço experimental altamente qualificado para intersecção de saberes artísticos com prática extensionista e pesquisa acadêmica, em busca de novas formas de militância artística.

 

Coordenadora do LEP

Alessandra Vannucci

 

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